Montessori – Período de Adaptação na Creche (0 a 3 anos)

Montessori – Período de Adaptação na Creche (0 a 3 anos)

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Vídeo – Período de Adaptação na Creche Montessori/Alemanha

Aqui a Pedagoga Montessoriana Simone Clemens entrevista a Pedagoga Montessoriana Claudia Steeb/Alemanha, especialista em educação infantil de 0 à 3 anos sobre um tema muito atual e importantíssimo: o Período de Adaptação da Criança na Creche.

A criança passa seu primeiro ano de vida no meio familiar e de repente precisa adaptar-se à outro meio, à outras pessoas.

Como se dá este processo de modo que pais e a criança sintam-se bem  acolhidos nesta nova fase?

Na Alemanha, país com excelência neste tema, adere oficialmente a dois modelos basicamente: o Modelo de adaptação de Munique de Beller e Stahnke de 1988 e o Modelo de Adaptação de Berlim de Löewe e Andres de 1978.

Ambos os modelos foram desenvolvidos à partir de longos estudos nas universidades das cidades correspondentes. O modelo de Berlim, o mais antigo, integra as principais seguintes características:

  • Adaptação à creche sem traumas ou sofrimento
  • A criança é competente
  • Uma posição positiva à respeito dos cuidados através de uma 3. pessoa (creche/educadora)
  • Observação individual de cada criança e através desta, ofertas de possibilidades pedagógicas individualizadas
  • Trabalho conjunto e intenso com os pais

Uma adaptação tranquila é a chave para um desenvolvimento sadio da criança na creche.

Crianças tem medo de situações estranhas. Neste caso elas procuram uma pessoa de confiança que as protejam. Se esta pessoa está presente para tranquilizá-las, elas se sentem seguras para continuar a explorar o seu meio. Caso esta pessoa de sua confiança não esteja presente, elas podem viver situações desagradáveis que venham a traumatizá-las.

A creche é um lugar estranho para a criança. Por isso ela precisa de uma pessoa de confiança para explorar este novo meio. Já que a mãe/ o pai, a sua pessoa de maior confiança,  não poderá estar o tempo todo neste meio, a criança deverá construir uma relação de confiança com a educadora ainda sob os olhos da mãe/do pai.

Assim que uma relação de confiança com a educadora estiver estabelecida, a mãe/ o pai poderá se afastar, sem que a criança sofra. A criança passa a explorar seu meio com a ajuda da educadora.

A fase de adaptação dura pelo menos 4 semanas:

Na primeira semana, a mãe está presente com a criança transmitindo-lhe apenas segurança. A aproximação da criança com a educadora deve ocorrer de forma natural. A educadora adota uma postura passiva e espera que a criança venha lhe conhecer.

Na segunda semana a mãe esclarece à criança de forma clara e concisa que necessita sair por uns minutos. Desta forma se dá a primeira separação mãe/pai e criança. Nesta fase a empatia da educadora é grande tanto para com a criança como para com a mãe, dado o fato que não só a criança pode sofrer com a separação da mãe, mas também a mãe pode sofrer por separar-se da criança.

Na terceira semana a mãe fica ainda mais tempo longe da criança. A mãe recebe todos os dias um feedback sobre bem estar da criança seja rapidamente à porta, por telefone ou através de conversas ao final do período, ao final do dia.

A mãe apresenta à criança à educadora nas principais horas como na hora da comida, na troca de fralda. A criança sente que a mãe aceita a educadora e a trata como uma pessoa a se confiar.

Na quarta semana a mãe separa-se da criança já na porta da sala. O tempo de permanência da criança na creche torna-se cada vez maior

O feedback aos pais é constante. A atenção e o cuidado com os sentimentos dos pais e das crianças também é constante.

O período de adaptação termina quando a criança consegue ficar todo o período na creche.

Modelo de Adaptação de Munique

As bases da Adaptação de Munique são as mesmas, o que se diferencia um pouco da Adaptação de Berlim, é o método e a explicação deste.

Toda fase de transição é acompanhada por emoções fortes, as rotinas não são mais as mesmas e a criança tem que aprender várias coisas em um curto prazo de tempo.

A família e a criança precisam ser apoiadas para poder superar bem estes períodos de transição. Estes são superados melhormente quando a família tem a oportunidade de conhecer seu novo meio através de uma pessoa de confiança (educadora).

Na prática, este método consiste em que a criança conheça seu meio e todas suas atividades de rotina na presença da mãe e da educadora. Somente quando sentir-se realmente segura com o meio e com a rotina, a criança passa a separar-se da mãe e a ficar somente com a educadora. Então a mãe/o pai permanece com a criança por várias horas na creche, vive todas as atividades de rotina com a criança na creche como comer, trocar fraldas, brincar e vai se separando da criança aos poucos. Separa-se da criança porém permanece na creche, caso a criança não sinta-se mais segura, chore muito e precise novamente da sua presença, ela está na instituição e pode voltar a consolar a criança a qualquer momento. Cada vez mais o tempo de separação da criança e da mãe aumenta, a medida que a criança se sente mais segura.

O final de adaptação deste período se dá quando a criança fica até o final do dia (das horas pelos pais estabelecidas) sem problemas e sem a presença da mãe.

Diferenças entre os dois métodos

Modelo de Berlim:

  • Segurança – exploração do meio – confiança
  • Primeira separação depois do 4. dia
  • Foco na construção da relação educadora – criança
  • Duração da adaptação orienta-se em cada criança pelo menos 6 dias
  • Nos primeiros dias educadora, criança e mãe encontram-se em uma sala separada
  • Aposta na pessoa de confiança
  • A duração da separação começa no 4. dia e aos poucos vai aumentando

Modelo de Munique

  • Exploração do meio – segurança – confiança
  • Primeira separação depois de 6 dias
  • Participação de todo o grupo da creche no processo de adaptação
  • Duração combinada com todos de no mínimo 6 dias
  • Adaptação se dá no grupo
  • Os pais acompanham a criança pelo menos 2 semanas inteiras por muitas horas
  • Situação conhecida
  • Os pais separam-se da criança somente quando o meio torna-se conhecido e confiável para a criança

O que há em comum entre os dois métodos

Ambos o métodos tem em comum o cuidado e o respeito para com a criança e os pais neste período de adaptação. Os dois modelos dão grande importância as principais situações como troca de fralda, comer e dormir assim como a presença da pessoa de confiança da criança.

A Pedagoga Montessoriana Claudia Steeb nos explica com detalhes  em sua entrevista como se dá na prática o método de Berlim por ela adaptado para sua instituição. Confira!     Adaptação creche Montessori


Simone Clemens, Pedagoga Montessoriana pela Associação Montessori de Aachen/Alemanha, Especialista em Superdotação na Infância e Adolescência IFLW/Alemanha

Fontes:

Artigo da Dr. Anna Winner ” Zwei Eingewöhnungsmodelle im Vergleich”

Beller.K E. (1998) : Die kleine Krippe

Laewen, H.J/Andes (1990): Ein Modell für die Gestaltung der Eingewöhnungssituation von Kindern in der Krippe

Interview mit Claudia Steeb, Pedagoga Montessoriana na “Casa Internacional da Criança” em Munique.

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