A transição escolar na pedagogia Montessori

Do jardim de infância para a escola, e agora?

Já há uma preocupação, pesquisas e até métodos consolidados quanto a forma de facilitar a iniciação escolar da criança para a creche ou jardim de infância. Os métodos mais consolidados são os métodos de Berlim e Munique, os quais eu já descrevi aqui outra vez. https://www.educarsi.com/montessori-adaptacao-na-creche/

No entanto uma transição a qual ainda pouco se fala é a do jardim de infância para a escola. Essa fase ainda é tida como óbvia e como se criança fosse obrigada a enfrentar em um ato de coragem e bravura. Algo que nos lembra o antigo e prejudicial “homem não chora” , “seja boazinha” ou “índio não sente dor”.

No entanto, a criança sim sente uma certa dor de perda ao sair do jardim de infância. Não é que a criança não se alegre com a perspectiva de começar a escola. Sim, a maioria das crianças se alegram com a ideia dessa nova fase, mas ao mesmo tempo muitas delas sentem essa alegria acompanhada de um sentimento de perda e até de abandono, de grande insegurança. O infante perde o conhecido e e o que lhe é tão querido, por exemplo: a educadora, os amigos, o seu meio, seu parque do brincar e sofre com o medo do que ainda lhe é tão desconhecido. Dessa observação já há muito refletimos como seria possível mudar essa estrutura principalmente dentro de uma filosofia montessoriana.

Afinal o desenvolvimento é uma linha fluida, o aprendizado é união, um contínuo e não uma quebra.

Em algumas escolas alemãs vem sendo experimentado uma ligação e comunicação prática do jardim de infância e da futura escola (1. ciclo/ensino fundamental).

Faz-se um acordo no último ano do jardim de infância, no qual a criança pode visitar e claro participar ativamente da escola futura por 1 ou 2 vezes por semana. Assim, a criança já passa a conhecer a professora nova, o ambiente, o ritual de trabalho de forma lúdica e menos compromissada. No ano seguinte o ambiente escolar novo para a criança já é conhecido e bem-vindo – apenas uma continuação. E o mesmo pensamento funciona da forma contrária: a criança que sente saudades do seu antigo lugar no jardim de infância pode voltar a visitar seu antigo ninho: sua educadora, seu meio conhecido de forma regular se desejar (também de uma a duas vezes por semana por exemplo).

Quanto à parte pedagógica, a educadora tem o tempo e a calma de informar a futura professora do desenvolvimento da criança até o dado momento e ainda mais tarde poder trocar informações com a nova professora sobre o desenvolvimento da criança. Nessas condições há um acompanhamento global da criança e um crescimento profissional dos docentes.

Muitas crianças sente-se mais confiantes, acolhidas e motivadas com essa transição mais amena. Principalmente na educação especial ou com crianças mais sensíveis parece ser um caminho mais consciente e promissor. Os pais também tem um papel muito importante nesse processo de acompanhamento. Todos constroem um elo de confiança em pró da criança. Essa prática não se limita a escolas montessorianas, mas pode ser aplicada em qualquer escola cujas condições práticas permitirem. Em cidades menores, pode ser montada uma estrutura de parcerias já levando o aspecto em consideração.

Simone Clemens – Pedagoga montessoriana, Profa. de música e Especialista em Superdotação e SupersensibilidadeAlemanha

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