Escola indisciplinada e caótica

Nossa sociedade mudou. Temos outro contexto, outras necessidades, outros desejos. Entramos em uma era digitalizada, onde temos um incrível acesso a todos os tipos de dados e oportunidade de inter-relação entre eles em poucos cliques. A mulher é uma importante força intelectual e no mercado de trabalho. A saúde e condições de vida melhoram, o ser humano vive mais, tudo isso tem como consequência uma enorme mudança na organização da sociedade.

A mulher que antes ficava em casa e cuidava dos filhos, hoje trabalha fora, realiza-se pessoalmente. A avó que antes ficava em casa a cuidar dos netos, hoje ainda trabalha, viaja, tem sua própria vida mesmo na terceira idade.

Nessa nova realidade, a escola faz-se muito mais necessária, precisa tornar-se especializada, competente, sensibilizada para o humano.

Sabemos muito mais sobre o corpo humano, processos cognitivos, sociais, sabemos muito mais sobre relações sócio-emocionais-cognitivas. Isso quer dizer que a forma da escola tem de mudar também.

Essa situação de descontentamento geral e quase caos, significa pressão para mudanças! Justamente porque ninguém suporta mais: nem alunos, nem docentes e muito menos os pais, é que mudanças vão chegar. Uma escola que respeita o rítmo e tendência de aprendizado de cada indivíduo, que prima pela autonomia, pela criatividade e não pela mera reprodução (cópia).

Um professor acompanhante do processo de aprendizado e não uma pessoa egocêntrica a passar conteúdo a ser engolido. Ao invés de profissionais escravos de um sistema arcaico, de conteúdos prontos, haverá um profissional criativo, mais equilibrado e que possa ter autonomia para exercer um trabalho de construção de fato.

Maria Montessori, Jean Piaget, Paulo Freire, Eric Ericson, Heller&Heller, Howard Gardner e tantos outros gigantes da pedagogia, psicologia, sociologia, neurociências sendo aplicados na prática, no dia-a-dia concretamente e não somente citados em bonitas apresentações e reuniões de escolas, onde permanecem no papel e em palavras abstratas.

Um ensino baseado em respeito mútuo, na autonomia, em desenvolvimento do senso crítico, no aprender a pensar e não em cega obediência e decorar conhecimentos que rapidamente serão esquecidos.

A juventude não está perdida. Crianças e jovens continuam a querer desenvolver-se e aprender como é natural do ser humano – A forma como esse sistema está construído, não é mais compatível com a nossa sociedade e nunca foi compatível com o desenvolvimento natural do ser humano. Agora sabemos mais e todo o conjunto social grita por mudanças.

A escola não vai nem falir, nem acabar – a escola vai se modificar! Homeschooling vai coexistir e se beneficiar dessa mudança de mentalidade sobre educação.

Simone Clemens – consultora, pedagoga montessoriana e em pedagogias ativas, especialista no tema Talento/Superdotação/Altas habilidades Alemanha

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