Superdotado, Superagitado e Supersensível?

Kasimierz Dabrowski: psicólogo, psiquiatra polonês que viveu entre 1902 e 1980 e Elaine Aron: psicóloga americana nascida em 1944, fizeram do tema supersensibilidade, superexcitabilidade na Superdotação, o foco de suas pesquisas empírico-científicas.

Para Kasimierz Dabrowski, o fenômeno da Superdotação caracteriza-se de uma generalizada superexcitabilidade do ser. Já Elaine Aron chega a conclusão que a superexcitabilidade sensorial, emocional e imaginária faz-se um tipo de superdotação só, indepentente “per si”, que ela chama superdotação dos sentidos. Nesse conceito, o indivíduo pode ser dotado da superdotação dos sentidos independentemente de ser provido de uma superdotação intelectual ou não.

Para Elaine Aron, a “superdotação dos sentidos” faz-se um tipo de superdotação indepentente .

Superexcitabilidade Psicomotora

A pessoa mostra uma energia física acima da média. Principalmente crianças tem menos necessidade de sono, parecendo nunca estarem cansadas. Isso pode trazer aos pais e à familia um certo desconforto, como por exemplo, quando a criança dorme com outros irmão no mesmo quarto – os irmãos precisam de silêncio e escuro e o superdotado ainda não tem necessidade de descanso, preferindo luz e liberdade de movimento.

Essa mesma excitabilidade traz necessidade constante de movimento, gosto frequente na prática de esporte e a sensação de que a pessoa não pára, não pode estar sem fazer nada.

Essa grande quantidade de energia e movimento pode ser confundida com hiperatividade. Por essa razão, em caso de Superdotação, um diagnóstico de hiperatividade deve ser muito cuidadoso, pois o limite onde termina uma grande quantidade de energia e quando começa uma descontrolada hiperatividade (patológica) pode não ser tão fácil de reconhecer.

Há diferenças que caracterizam a superexcitabilidade natural do superdotado e o que se denomina hiperatividade.

O superdotado com muita energia consegue concentrar-se muito bem em temas do seu interesse e convive bem com seu rítmo energético físico. Mesmo que essa energia algumas vezes leve a família a ter de trabalhar alguns pontos de organização e hábitos diários para um melhor convívio sócio-familiar.

Já o hiperativo com déficit de atenção tem pouco controle sobre a intensidade de suas atividades físicas, sofrendo com isso, tende à agressividade, à muitos momentos de tristeza, mal humor podendo chegar à depressão. Tem problemas grandes para concentrar-se até em temas do seu interesse, sendo que estímulos mínimos (ex: vento, som comum do meio ambiente, insetos, pássaros, odores) conseguem desviar sua atenção.

Em caso de Superdotação, um diagnóstico de hiperatividade deve ser muito cuidadoso, pois o limite onde termina uma grande quantidade de energia e quando começa uma desequilibrada hiperatividade (patológica) pode não ser tão fácil de reconhecer.

Dabrowski pesquisava outros excessos em ligação com a superdotação, como por exemplo: pessoas que falam demasiado, muito rápido, agem de forma muito impulsiva ou tendem à excessos de organização. No entanto, deixo marcado aqui, que a correlação entre esses aspectos e a Superdotação ainda são pontos de pesquisas, pois eles encontram-se presentes em pessoas superdotadas e não superdotadas, não estando necessariamente e nem em maioria vinculadas com o fenômeno Superdotação.

Superexcitabilidade sensorial

Dabrowski engloba nesse grupo, pessoas que desde muito cedo são sensíveis no tato, no olfato e no paladar: como por exemplo incomodam-se com determinadas texturas de tecidos, identificam nuances muito finas entre sabores, reagem muito rápida e sensivelmente a odores. Ele inclui também nesse grupo, um senso estético acima da média: pessoas que tem sua atenção focada a objetos considerados belos, movimentos harmoniosos, importam-se demasiado com combinações de cores, preocupam-se com a forma e estilo da escrita e do falar.

Essa visão de supersensibilidade sensorial foi reestudada, reestruturada e ampliada pela psicóloga americana Elaine Aron, nascida em 1944, onde ela acrescenta a supersensibilidade inter- intrapessoal e de ambiente.

Superexcitabilidade intelectual

Dabrowsky descreve para esse aspecto um poder de conexão neural muito acima da média, o que resulta em um poder de concentração e persistência enorme, já observado em idade muito tenra. Outra característica seria um precoce interesse por tudo que o rodeia: letras, números, meio ambiente – uma grande capacidade de correlação entre diferentes temas. Para além de uma perceptível rápidez em reconhecer processos de causa e consequência de ações e prazer em sequências lógicas abstratas.

Dabrowski ainda adverte que o superdotado diferencia-se do dotado mediano, bom aluno obediente, que tira boas notas na escola, é perfeitamente adaptado ao meio e às vezes é considerado “adiantado” na infância, porém que na sua adolescência equilibra-se com a média. Para Dabrowski é importante que seja incluso neste pacote de alto dom intelectual o alto senso moral e de justiça.

Dabrowsky: “Não confundir aluno adiantado com aluno superdotado

Superexcitabilidade imaginária

Pessoas que tem um grande poder de imaginação. Essa capacidade estaria fortemente ligada a criatividade.

Crianças que imaginam ter pessoas ou objetos em sua companhia – “amigos invisíveis” – falam e agem como se esses fossem reais. Possuem exagerado medo do desconhecido – quando crianças acreditam piamente, tem muito medo de seres contados em histórias e fábulas, tem muitos pesadelos. Sua imaginação é impetuosa, inclusive a forma de comunicar-se mais dramática, usando todo o corpo e seu vocabulário engloba palavras poéticas e vigorosas. Não raro tendem a mesclar ficção com realidade. Sublinho que Dabrowski aqui não se dirige a quadros patológicos de forma alguma.

Esse adulto preserva as raízes destas características de grande poder e prazer em lidar com sua imaginação, visualização abstrata, gosto por literatura de ficção, altamente ligados a arte. Sonhar frequentemente colorido, ter um um senso de humor aguçado, também fazem parte deste bloco para Dabrowski.

Superexcitabilidade emocional

A capacidade para a intensidade emocional, sensibilidade e empatia são características muito marcantes nessas pessoas.

Quando crianças, preocupam-se com sentimentos e acontecimentos alheios que para a maioria das pessoas são tidas como aceitáveis e normais. Um alto grau de empatia incomum à sua idade cronológica.

Essas pessoas sentem mais profundamente medo, raiva, preocupação, culpa, alegria, euforia, tédio, solidão, ansiedade. São obrigadas a um maior esforço de adaptação com seu meio. Segundo Dabrowski, a superexcitação emocional se mal compreendida e não controlada, pode provocar males psicossomáticos como: enxaqueca, dores de estômago, taquicardia, vermelhidão nas faces e ao longo do tempo ansiedade e depressão.

A maior pesquisadora da chamada supersensibilidade dos sentidos ou “superdotação dos sentidos” – Elaine Aron, engloba a superexcitabilidade emocional, sensorial e imaginária já descrita por Dabrowski, acrescenta e aprofunda a sensibilidade inter- intrapessoal (capacidade de autoconhecimento e de percepção do outro), o cuidado em lidar com as palavras e gestos, de captação e interpretação de energia de ambiente. Assim como a capacidade de prever fatos do futuro e telepatia integrados neste grupo.

A superdotação dos sentidos sem dúvida, é um tema que ganha o interesse da sociedade cada vez mais. E o supersensível também adquire espaço especial no meio profissional principalmente devido a sua especial habilidade verbal relacionada com sua perspicácia inter e intra pessoal.

Uma nova era se apresenta: importante não é somente o que calcula brilhantemente, possui eloquencia verbal e tem habilidades esportísticas, mas o que percebe o outro e o seu meio, o que sabe interpretar as entrelinhas e relaciona-las entre si.

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Simone Clemens, pedagoga montessoriana e especialista no tema Superdotação /Altas Habilidades – Alemanha e países de língua portuguesa

Fontes:

  • T.Webb, James; Mecksroth, Elisabeth A; und Tolan, Stephanie S. -Hochbegabte Kinder Ihre Eltern, ihre Lehrer
  • Aron, Elaine N. – Sind Sie hochsensibel?
  • Brackmann, Andrea – Jenseits der Norm : hochbegabt und hoch sensibel?

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